Deputado, vice-presidente do PSD e ex-consultor financeiro, Alexandre Poço, de 33 anos, recebe-nos na Assembleia da República. Natural de Oeiras, o ainda jovem político conta já com uma longa carreira preenchida por desafios e conquistas. Nesta entrevista, confessa o sonho de, um dia, chefiar o Governo, mas, por enquanto, mantém o foco no presente e no seu trabalho no Parlamento.
Filiou-se na Juventude Social Democrata em 2009. O que o motivou a envolver-se na política e a escolher o PSD e a JSD como espaços de participação?
Tinha acabado de fazer 17 anos, mas o interesse pela política começou cedo, aos 11 ou 12 anos. Gostava de acompanhar as notícias ainda muito novo. A partir daí, cresceu o gosto pela leitura, pela História, pelos acontecimentos políticos e pelas ideias filosóficas. Esse percurso levou ao amadurecimento de ideias e, com 15 ou 16 anos, já estava em condições de me filiar, mas preferi continuar a ler. Aos 17 anos, percebi que os princípios que melhor organizam a sociedade — liberdade, igualdade de oportunidades, prosperidade, iniciativa privada e o papel do Estado no combate às injustiças sociais — tinham melhor adesão no espaço da JSD e do PSD.
Entre 2013 e 2020, liderou estruturas locais e distritais da JSD. Quais foram os maiores desafios e conquistas desse percurso dentro da juventude partidária?
A afirmação da JSD foi sempre o foco principal. Em Oeiras, o trabalho de proximidade com associações de estudantes, escolas secundárias, associações juvenis e grupos de jovens foi uma preocupação constante. Mais tarde, já na distrital de Lisboa, mantive essa ligação. Foi nesses anos que comecei a desenvolver propostas que, mais tarde, vi aprovadas na Assembleia da República. Apresentei medidas sobre habitação para ajudar os jovens a comprar a primeira casa; fomos pioneiros a partir de 2018. Depois, já no Parlamento, traduzi essas ideias em projetos de lei. Quando o PSD chegou ao Governo conseguimos implementar medidas que antes eram chumbadas. Hoje, Portugal tem políticas públicas que ajudam efetivamente os jovens na compra de habitação.

“Não virei a cara a Oeiras nem ao PSD”
Foi candidato à Câmara Municipal de Oeiras em 2021, contra Isaltino Morais. O que o levou a aceitar este desafio, uma vez que já era deputado à Assembleia da República?
Além da ligação a Oeiras — curiosamente, nesse ano comprei casa no concelho — não virei a cara a um desafio difícil porque o partido assim o pediu. Isaltino Morais era um candidato fortíssimo, mas o PSD entendeu que devia ter uma candidatura própria. Fui desafiado e não tinha condições de virar as costas ao concelho que me ajudou a ser o que sou hoje. Devo muito a Oeiras pelas oportunidades que me deu. Aceitei ser candidato para afirmar um projeto próprio e garantir que o PSD não desaparecia do mapa autárquico. Cumpri esse objetivo.
Revelou esse carinho especial por Oeiras e chegou a ser eleito vereador. O que o levou a renunciar ao cargo, visto que os oeirenses lhe deram um voto de confiança?
São vicissitudes da vida política. Já era deputado e entendi que não seria possível compatibilizar as responsabilidades em Oeiras com as do Parlamento. Não me desliguei das ideias defendidas, mas era incompatível desempenhar ambas as funções ao mesmo tempo com o rigor necessário.
Caso tivesse ganho as eleições e fosse eleito presidente da autarquia, que caminho escolheria?
Nesse cenário hipotético, teria sido Presidente da Câmara de Oeiras, embora fosse difícil abandonar as funções de deputado, porque já era um compromisso assumido. Não é fácil largar responsabilidades, como não foi fácil deixar a Câmara após ser eleito vereador.

“A habitação e a emancipação dos jovens são as minhas grandes causas”
Quais considera terem sido as suas principais iniciativas ou intervenções legislativas mais relevantes ao longo das três legislaturas em que participou?
Sem dúvida, a habitação. O combate para que os jovens pudessem ter apoios na compra da primeira casa e para que a sua emancipação fosse mais fácil foi a minha grande causa. As conquistas passam pela isenção de impostos (IMT e Imposto do Selo) e pelas garantias que permitem comprar casa sem necessidade de capitais próprios para a entrada. São medidas pelas quais lutei durante vários anos.
Durante a sua atividade parlamentar, participou em fóruns internacionais. Que importância atribui à cooperação interparlamentar e à diplomacia política juvenil para o futuro do país?
É uma dimensão fundamental para um país global como o nosso, aberto ao mundo, com pontos cardeais fortes na Europa, na Lusofonia, em África, no Brasil, na CPLP, na NATO e na aliança com os Estados Unidos. É essencial que um deputado represente Portugal no mundo e leve o nome do país o mais longe possível. Temos quase 900 anos de história e um cunho muito especial nas relações internacionais.
“Portugal tem de convergir com os países mais ricos da Europa”
A Aliança Democrática (AD), apesar de ter ganho as eleições, não tem maioria absoluta. Na sua opinião, qual das forças políticas da oposição se ajusta melhor na concretização do programa do Governo?
Para a concretização do programa, as forças fundamentais são as do Governo: PSD e CDS. Mas devemos falar com todos. No mesmo dia em que aprovámos o Orçamento do Estado com o PS, aprovámos, meia hora depois, a nova Lei da Nacionalidade com o Chega. Temos um programa para cumprir e precisamos que seja sufragado na Assembleia da República. Continuaremos este caminho, procurando o diálogo, porque temos maioria relativa e precisamos de aprovar cada diploma. É um trabalho exigente, mas tem dado resultados.
Que papel acredita que o PSD deve desempenhar na próxima década?
Portugal tem um grande desafio: o atraso crónico face às sociedades mais desenvolvidas da Europa. Precisamos de políticas económicas, fiscais, de combate à burocracia e de desenvolvimento do Estado Social — na saúde, educação e ciência. O objetivo é colocar Portugal no patamar que ambicionávamos quando entrámos na União Europeia: ser uma sociedade próspera. Hoje estamos a cerca de 82% ou 83% da média europeia. O salário médio europeu é de 39 mil euros; em Portugal fixa-se nos 24 ou 25 mil. Esse deve ser o foco: um país mais rico, capaz de financiar os serviços públicos e apoiar os mais vulneráveis.

“Para já, estou satisfeito, mas tenho muita ambição para o meu país”
Depois de uma trajetória na JSD, no parlamento e na vice-presidência do partido com apenas 33 anos, até onde quer ir Alexandre Poço?
Sou ambicioso e talvez um dia queira candidatar-me a maiores responsabilidades. Para já, estou satisfeito, mas tenho muita ambição para o meu país. Ser primeiro-ministro seria um sonho. Sinto que tenho capacidades que podem ajudar nesse caminho, sempre com humildade. O futuro só a Deus pertence, mas estarei por aqui alguns anos. Tenho um longo percurso de trabalho, de provas e de defesa dos ideais do partido. Com foco, mas sem pressa.
As novas gerações estão cada vez mais desligadas da política. Que conselho lhes deixa?
Tenham cuidado com as redes sociais: os algoritmos podem distorcer a realidade e prejudicar a democracia. Informem-se, cultivem-se, apostem na formação e não se esqueçam de Portugal. Um país melhor para todos é também melhor para cada um de nós.
E que mensagem deixaria aqueles que estão agora a ingressar na política?
Que tenham o maior dos sucessos e que o seu sucesso individual seja também o coletivo. Independentemente do partido ou ideologia, lutem pelo que acreditam. Que esse trabalho resulte numa comunidade melhor. Sejam bem-vindos.





