Um jogo da vigésima jornada da LaLiga, no domingo 18 de fevereiro, começou antes do apito inicial e não se tratou apenas de futebol. O Celta de Vigo recebeu e venceu no estádio dos Balaídos os madrilenhos do Rayo Vallecano. Numa vitória confortável da equipa da casa, por três bolas a zero, não foram os golos os protagonistas da noite, mas sim os adeptos da equipa galega, que se deslocaram em força ao estádio, de unhas pintadas e com bandeiras LGBTQ+, em solidariedade com o ponta de lança da equipa azul celeste, Borja Iglesias.
Um movimento que surgiu nas redes sociais (proposto pela claque do Celta de Vigo, os “Carcamáns”, juntamente com o clube), após o avançado internacional espanhol ter sido alvo de ataques homofóbicos à saída do relvado do Ramón Sánchez Pizjuán, casa do Sevilha – no jogo a contar para a décima nona jornada do campeonato, que terminou com uma vitória dos galegos por uma bola a zero. A desilusão e o “melão” perante a derrota parece ter ocupado o espaço vazio das cabeças de alguns adeptos sevilhanos que, insatisfeitos, insultaram o jogador – atleta que representou o Bétis, eterno rival do Sevilha, por cinco épocas. Entre gritos e provocações, das bancadas ecoaram insultos ao avançado galego por pintar as unhas de preto com frequência.
A mensagem que Borja transmite através das suas unhas teve início em 2020, ainda ao serviço do Real Bétis, no combate ao racismo e à homofobia. Luta de que o jogador não prescinde, defendendo as causas ativamente nas suas redes sociais.
Mais do que pelos golos, pela tática, pelos pontos ou pelo rigor do VAR, a noite de 18 de fevereiro foi marcada e será recordada por duas cores – o preto e o azul celeste. Estas duas cores roubaram as luzes do espetáculo e iluminaram as unhas de 20.835 celtistas que se deslocaram a Balaídos no apoio à sua equipa, mas sobretudo ao jogador. O cenário foi inédito: crianças, mulheres e homens de barba rija, até os mais velhos, por vezes mais conservadores, todos se submeteram ao movimento coletivo na luta contra a homofobia e ao desejo de um futebol que é de todos e para todos.
Sobrou verniz em Vigo. Um dos momentos mais especiais foi quando a equipa do Celta subiu ao relvado. Antes do habitual aquecimento, o restante plantel decidiu também pintar as unhas, em solidariedade com o “panda” – alcunha de Borja Iglesias. Após o jogo, o clube galego utilizou a sua conta oficial de Instagram para partilhar várias fotografias do momento solidário dos adeptos, todos com as unhas pintadas nas imediações do estádio. Publicaram, ainda, uma fotografia da equipa juntamente com Borja no balneário, a exibir as unhas azuis celestes com a #CoidamosDosNosos.
Ficou claro que nos Balaídos cabem todos e que a família azul celeste não fica indiferente aos ataques direcionados aos seus. Atacar um é atacar todos, nem que para isso mais de 20.000 membros da família tenham que pintar as unhas.





