Descobriu o mundo da comunicação numa rádio do Alentejo, onde a timidez foi deixada de lado. Na Autónoma, encontrou “liberdade para crescer” e, dos bastidores do Dois às 10 à adrenalina do Em Família, foi construindo caminho até ganhar visibilidade nos reality shows. Aos 24 anos, Carolina Steffensen é repórter na estação onde sempre se imaginou. Nesta conversa, damos a conhecer o lado que não passa no ecrã e a determinação que a trouxe até aqui.
A Licenciatura em Ciências da Comunicação na Universidade Autónoma de Lisboa marcou o início deste percurso. Quando é que percebeu que queria seguir comunicação?
O meu percurso começou aos 12 anos. Vivia no Alentejo e surgiu a oportunidade de fazermos rádio na escola. O projeto não avançou, mas havia uma rádio perto de onde vivia, e eu e uma colega começámos a fazer rádio local, de forma super amadora. Para uma miúda de 12 anos, foi uma brincadeira interessante e, ainda por cima, era tímida. Achavam que não ia durar um mês. O que é certo é que nunca mais desisti e percebi: “é a comunicação que quero seguir”.
Que importância atribui à Autónoma no começo da sua carreira?
A Autónoma foi muito importante para estar onde estou. O que mais gostei foi o facto de os professores trabalharem na área. São experientes, sabem do que falam e trazem exemplos práticos para as aulas. A Autónoma deu-me liberdade para crescer. Senti que os professores sempre acreditavam muito em mim. Davam oportunidades a todos e agarrava quem queria. Eu era uma das que queria sempre fazer mais do que era pedido nas aulas. As entrevistas que fiz prepararam-me para o meu trabalho de hoje. Ninguém nasce ensinado a fazer uma entrevista – é mesmo na prática. E foi a praticar tanto que cheguei até aqui.
Ao longo da licenciatura, participou em projetos como o programa académico “Portugal Lés a Lés” e a criação de conteúdos para o Plano Nacional de Leitura. Ver o trabalho ganhar vida fora da sala de aula ajudou-a a confirmar que estava no caminho certo?
Foi muito importante. Lembro-me perfeitamente de quando recebi esse convite, e outro para ser embaixadora da Autónoma. Pensei: “estas pessoas acreditam em mim”. Não há nada melhor do que sentires a confiança de quem admiras. É o sentimento de que estás a fazer a coisa certa. E é a oportunidade perfeita para errares porque é um projeto da faculdade sem grande responsabilidade. Se queria errar, aprender e experimentar, era o sítio certo.
Terminada a licenciatura, surgiu a primeira grande oportunidade na TVI, com um estágio em jornalismo, onde acompanhou de perto o processo das reportagens. Essa transição do ambiente académico para uma redação televisiva foi tão natural quanto esperava?
Foi um choque. Acabei a licenciatura e, passado um mês, comecei logo a estagiar. Fui muito insistente: liguei e mandei muitos e-mails. No primeiro dia até fui de salto alto, porque achava que quem trabalhava em televisão tinha de ser elegante. Só durou mesmo o primeiro dia. Percebi que eram pessoas normais. Comecei no Viva a Vida e no Conta-me. Arranjava sítios para reportagens, mas achava aquilo pouco. Então, propus acompanhar as reportagens e criar conteúdos para as redes sociais. O estágio não tinha nada a ver com redes sociais, mas queria provar que podia fazer mais do que era proposto. Isso fez-me destacar logo no início.

“Ainda não consegui ver um programa do início ao fim em que apareço. Tenho vergonha alheia de mim mesma”
Trabalhou em dois dos programas mais conhecidos da TVI – o Dois às 10 e o Em Família. Começou na pesquisa de histórias e convidados e, mais tarde, assumiu o papel de editora na régie. O que aprendeu ao trabalhar em dois formatos tão distintos?
O day time é uma loucura. Todos os dias há novas histórias e uma pressão de audiências diferente. É um programa muito importante para a estação e tens de entregar bom conteúdo: a história tem de ser boa e os convidados também. Contactava as pessoas, entrevistava-as por telefone e decidia se falavam bem para televisão. E pensava: “tenho 20 e poucos anos e estou a pôr uma pessoa num programa destes”. Ficava muito ansiosa com esse peso de responsabilidade e com a vontade de mostrar que encontrava boas histórias. O Em Família foi talvez o projeto mais importante. O Zé Lopes, que era o meu coordenador, ajudou-me a crescer. Tinha uma equipa que era família. Estava três horas ao ouvido do Rúben Rua e da Maria Cerqueira Gomes a dizer o que tinham de fazer. Conduzir um programa foi um dos papéis mais desafiantes que fiz até hoje.
Num novo momento da sua carreira, entrou no universo dos reality shows: produz peças para o Big Brother e o Secret Story e, nas galas e extras, surge em direto como repórter. Passar dos bastidores para a frente das câmaras mudou a forma como olha para a televisão?
Acho que não. Na faculdade, achamos que vamos ser locutores, pivôs ou apresentadores e, quando entras no mercado de trabalho, percebes que há muito para além dessas funções. Não sei se hoje ser repórter me realiza tanto como ser editora de régie. Tenho, sim, uma maior exposição. As pessoas falam muito mais comigo na rua, até porque estes programas chamam muito a atenção. Quando vim, não sabia que ia ser repórter, não era essa a função. Em toda a minha carreira nunca pedi nada – as coisas vão surgindo. Trabalho gera oportunidades. Comecei por fazer peças e, um dia, precisavam de alguém para um direto. Perguntaram “Queres?” e disse que sim. Ninguém me ensinou a fazer um direto. “Queres? Então vais fazer!” Não me fez olhar para a televisão de outra maneira, mas agora sinto que é mais a sério, sobretudo porque falam muito sobre o meu trabalho.
Em outubro de 2025, foi apresentada como o “novo rosto digital” do Secret Story 9, acompanhando, em direto, o que os espectadores comentam sobre o reality nas redes sociais. Que significado tem tido ao assumir este novo papel?
É muito desafiante. Nas reportagens, tinha o controlo total: se me enganava, cortava. Ainda não consegui ver um programa do início ao fim em que apareço. Tenho vergonha alheia de mim mesma. Tenho sempre medo de ter dito algum disparate. Ainda não sei lidar muito bem com essa pressão [risos]. Agora falo e apareço muito mais, por isso a probabilidade de dizer coisas erradas é maior.

“Não encaro como um trabalho, encaro como um hobby”
A televisão impõe um ritmo intenso e exigente. O que a ajuda a manter o equilíbrio no dia a dia?
Digo sempre que é importante manter as minhas amizades e tudo fora da televisão. Isto é um meio altamente viciante. Estão sempre a surgir jantares, festas, trabalhar mais horas. Às vezes, trabalho seis dias por semana. Nós vivemos isto intensamente. A televisão não é a minha vida, o meu trabalho não é a minha vida. Não encaro como um trabalho, encaro como um hobby.
Entre as muitas funções que desempenhou e as fases que viveu na televisão, qual foi a que mais a marcou e o que espera ainda alcançar?
Digo sempre que sou privilegiada por ter feito tantas funções em tão pouco tempo. Se precisar de fazer outra coisa que não isto, tenho imensas valências. O Em Família marcou-me muito, porque tinha controlo total do programa – uma adrenalina que nunca mais senti. Mas esta é a minha melhor fase: nunca pensei ser repórter aos 24 anos, ainda por cima num programa com tanta visibilidade e na estação que sempre quis. Quanto ao futuro, aprendi a não planear demasiado. Entrar na Autónoma e saber que queria televisão ajudou-me a chegar aqui tão cedo: tinha um objetivo e fui atrás dele. Na TVI, já alcancei tudo o que podia com esta idade e, agora, quero estabilizar nesta função.











