Entre start-ups, pitches e conversas sobre inovação tecnológica, a Web Summit abriu espaço para olhar a cultura portuguesa. Uma conversa descontraída entre os atores Ricardo Pereira, Cláudia Vieira e Lourenço Ortigão, moderada pela jornalista Cristiana Reis. O UALMedia acompanhou a sessão.
A Web Summit, que decorreu na cidade de Lisboa entre 10 e 13 de novembro, é muito mais do que internet e tecnologia. No último dia do evento, perante uma plateia repleta de jovens, teve lugar a sessão Portugal no ecrã: Explorando a cultura através do cinema e da televisão. Um painel composto por três atores bem conhecidos do grande público, Ricardo Pereira, Cláudia Vieira e Lourenço Ortigão, moderado pela jornalista de cultura da SIC, Cristiana Reis, no qual se discutiu a construção da identidade cultural portuguesa. A ideia de que cada produção é, ao mesmo tempo, uma narrativa e o reflexo do país.
O debate começou precisamente por aí, com os atores a refletirem sobre a força e o papel das produções televisivas e cinematográficas. Cláudia Vieira explicou como a construção das personagens permite transmitir a realidade nacional de forma genuína, seja a nossa forma de viver, os maneirismos em termos linguísticos, as tradições ou a gastronomia.

“O audiovisual é um espelho da realidade portuguesa. É muito fácil sermos porta-vozes da nossa cultura, porque construímos personagens a partir do dia a dia dos portugueses.” A atriz apontou alguns detalhes que tornam as personagens genuinamente portuguesas. “A forma como falamos — o ‘pois’, o ‘olha’, o diminutivo — é muito nossa. Quando isso passa para as personagens, a nossa identidade chega ao ecrã.”
Lourenço Ortigão sublinhou a dimensão pedagógica do trabalho dos atores, refletindo a sociedade através das histórias e das redes sociais. Já Ricardo Pereira destacou o alcance internacional das produções. “A arte e a cultura atravessam fronteiras. Os nossos filmes e séries chegam a outros lugares e isso traz-nos uma responsabilidade enorme: levar Portugal para o mundo.”
Apesar de Lisboa e Porto serem os locais mais comuns em termos de filmagens, o painel destacou ainda que o audiovisual português tem vindo a olhar para além das grandes cidades.

“Nunca é demais explorar cada cantinho de Portugal”
Segundo os intervenientes no painel, parece haver um esforço crescente para mostrar a diversidade cultural e paisagística do país, explorando regiões menos conhecidas e revelando tradições locais que muitas vezes permanecem invisíveis para o público. Esta descentralização permite não só enriquecer as histórias, mas também dar visibilidade a comunidades e cenários que refletem a nossa diversidade cultural, social, regional e até linguística. Lourenço Ortigão afirmou que “nunca é demais explorar cada cantinho de Portugal”, garantindo que “cada região tem a sua essência e muito para mostrar”.
A riqueza das paisagens e a autenticidade cultural que essas regiões trazem às produções foram também destacadas por Cláudia Vieira, que reforçou a ideia de que Portugal tem paisagens muito diversificadas. “Filmámos no Douro, no Alentejo ou nos Açores e estamos sempre a mostrar realidades diferentes.”
Ricardo Pereira acrescentou que, ao levar filmagens para fora dos grandes centros, o audiovisual português abre portas para a projeção internacional, mostrando cenários inéditos e reforçando a identidade do país no mundo. “Descentralizar é essencial: filmar fora de Lisboa e Porto e mostrar cenários de Portugal que o mundo ainda não conhece.”
“Vemo-nos ao espelho através das histórias e isso ajuda-nos a pensar, a crescer e a ter empatia”
Após a palestra, Cristiana Reis explicou ao UALMedia que a televisão e o cinema têm um papel central na representação portuguesa. “Vemo-nos ao espelho através das histórias e isso ajuda-nos a pensar, a crescer e a ter empatia.” Embora a internacionalização do audiovisual português esteja a crescer, a jornalista afirma que ainda há espaço para avançar. Como exemplo dessa evolução, aponta o caso de Rabo de Peixe: “É a primeira série portuguesa a conseguir uma internacionalização real. Esteve no top 10 de vários países e a Netflix renovou já para a segunda e terceira temporadas.”
Cristiana Reis concluiu reforçando a importância da descentralização.“Há uma tentativa clara de descentralizar: novelas no Alentejo, produções em Penafiel, projetos em Viana do Castelo. Mas ainda há muito mais para explorar.”





