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-Início»Rubricas»Clube da minha terra: Boa Hora Futebol Clube
Fotografia | Boa Hora FC

Clube da minha terra: Boa Hora Futebol Clube

Diogo Alexandre Carapinha 02 Out 2019 Rubricas, Rubricas

Clube da minha terra é uma rubrica onde desvendamos os segredos e as particularidades de vários clubes locais. Esta semana, a rubrica tem lugar na Ajuda, em Lisboa. Fomos conhecer o Boa Hora Futebol Clube.

Fundado em 1918, o clube centenário de uma das zonas mais conhecidas de Lisboa, a Ajuda, é reconhecido pela sua mística e tradição. O futebol era a modalidade principal, mas, nos últimos anos, houve uma mudança de paradigma que, diga-se, tem tido bastante sucesso. Com um pavilhão gimnodesportivo, inaugurado em 1995, e 3 courts de Ténis (em vez do campo de futebol), o Boa Hora é um emblema de referência, sobretudo no andebol nacional.

Com a enorme evolução e profissionalismo que o Boa Hora Futebol Clube tem tido, há aspetos que merecem o seu destaque, sobretudo para podermos comprovar esse mesmo desenvolvimento. O treinador da equipa de andebol, Nuno Alvarez, dá-nos esse enquadramento necessário: “Temo-nos fixado, nos últimos anos, com uma maior estabilidade, na principal divisão do andebol nacional, e procuramos dar um passo profissional para conseguir algo mais, no campeonato de andebol. Nesse sentido, o Boa Hora é um clube que melhorou as condições de treino, melhorou os meios humanos de suporte e criou condições para que, neste momento, consiga albergar nas suas instalações sete atletas da equipa sénior de andebol”.

Uma das temáticas mais importantes desta rubrica é perceber a envolvência dos clubes, a relação que têm com os seus adeptos e toda a mística envolvente. Nuno Pinto, capitão da equipa de andebol, habituado a grandes palcos, retrata-nos isso bastante bem: “O Boa Hora tem a mística típica de um clube de bairro de Lisboa. Aquilo que aqui se vive é uma paixão vivida pelos locais em torno do seu clube de bairro que lhes é mais querido e próximo e ao qual têm orgulho de pertencer”. O mesmo refere que o sentimento de pertença e o associativismo é diferente do que ser adepto de clubes com um maior poder financeiro e desportivo, tornando-se mais próximo e genuíno, afirmando que é isso que os jogadores sentem no Boa Hora: “Não sendo bairrista, já que é um clube profissionalizado e organizado, é um clube de bairro com a identidade e força típica do mesmo”.

Depois de algumas modalidades emblemáticas, como o basquetebol, terem perdido espaço, José Ramos, presidente da direção do clube lisboeta, mostra-se bastante otimista quanto ao desenvolvimento das principais modalidades do Boa Hora FC – o andebol e o ténis de mesa. Apesar disso, o principal responsável pelo clube assume que a estabilidade nem sempre prevaleceu: “Infelizmente, a gestão danosa do anterior presidente da direção, que foi destituído do cargo e expulso de sócio do clube, faz com que continuemos a sofrer consequências, pois há vários anos que pagamos as dívidas contraídas pelo mesmo”. Ainda assim, o presidente orgulha-se de, no momento atual, o clube possuir técnicos e instalações desportivas de grande qualidade, que são uma mais valia para o desenvolvimento dos jogadores profissionais e, principalmente, dos jovens, “que ganham competências desportivas e sociais que lhes vão ser úteis e importantes no seu futuro”.

Sempre aberto aos sócios e aos adeptos, praticamente 24h por dia, o clube oferece a possibilidade a todos os seus apoiantes de, durante a semana, assistirem aos treinos das equipas e conviverem com os jogadores, em particular com aqueles que residem nas instalações do clube. Segundo o adepto e ex-jogador Nuno Marta, outro ponto de convívio é o famoso “Zé da Tasca”, o bar do clube, “onde podemos igualmente conviver com os jogadores depois dos jogos e, diariamente, viver o clube de forma mais próxima. É um bar do clube assim entre aspas, porque apesar de ser um negócio próprio do mesmo, o Zé já faz parte da família do Boa Hora”.

Para além desta ligação, o conhecido adepto confirma que, esta temporada, há também uma dinâmica de entretenimento diferente no clube: “Além de ser um gosto ver esta equipa jogar, a dinâmica de espetáculo do jogo de andebol é muito empolgante. Não existem os chamados “momentos mortos”, há uma constante preocupação em dinamizar o evento com música e isso faz com que as pessoas estejam sempre ligadas ao jogo. Posso dar-vos o exemplo dos livres de 7 metros, em que há sempre uma música de confronto que é tocada antes do remate (missão impossível ou o “Eye of the tiger”)”.

Termina referindo que há um maior envolvimento dos adeptos este ano, fruto do investimento na comunicação e marketing, sobretudo pela dinamização das redes sociais do clube, que era praticamente inexistente.

Esta rubrica é da responsabilidade do projeto “O Desportista” e as opiniões devem ser atribuídas aos autores devidamente identificados. O UALMedia e a UAL não se responsabilizam pelos conteúdos aqui publicados.
    
2019-10-02
Diogo Carapinha
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