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-Início»Entrevistas»Miguel Ruivo: “Não vejo o desporto sem ser com a lógica de formar pessoas”

Miguel Ruivo: “Não vejo o desporto sem ser com a lógica de formar pessoas”

Diogo Pires 17 Jun 2019 Entrevistas

Aos 27 anos, é o atual treinador da equipa de basquetebol da Faculdade de Arquitetura, depois de ter orientado as equipas masculinas e femininas de diversos escalões no Sport Lisboa e Benfica, clube onde passou de jogador a treinador. Chama-se Miguel Ruivo, é lisboeta e finalista do curso de Desporto na Universidade Lusófona de Lisboa. Em entrevista ao UALMedia, fala da arte do “saber treinar apenas com a lógica de formar pessoas”.

Gregg Popovic, um dos treinadores mais medalhados de sempre com o prémio “NBA Coach of the Year”, disse que “o treinador mais bem sucedido não é aquele que forma jogadores, mas também o que ajuda a formar homens”. Concorda?

O Gregg Popovic foi-se tornando um ídolo para mim! Não vejo o basquetebol e o desporto de outra maneira sem ser com a lógica de formar pessoas. Posso ensinar uma pessoa a jogar basquetebol, mas isso não lhe acrescenta nada enquanto pessoa. Daí a algum tempo, a pessoa deixa de jogar basquetebol e depois não sabe ultrapassar os problemas da vida.

Enquanto treinador e formador, trabalhou no Sport Lisboa e Benfica, clube que também o formou enquanto jogador. O que representa o clube para si?

Diz-me muito. Diz-me ainda mais o estádio antigo, onde tudo começou, onde comecei a jogar aos 10 anos. Na altura, os treinos eram apenas aos sábados e tive a oportunidade de ver, no pavilhão construído nesse estádio, bons jogos de basquetebol. Neste novo estádio, tenho também boas memórias, mas já como treinador.

Como foi essa experiência enquanto jogador?

Foi muito rica e fez-me a pessoa que sou hoje. Joguei quase sempre no Benfica. Apenas na minha última época, joguei no Atlético Clube de Portugal. Dentro do Benfica, passei por bons e maus momentos. Penso que são os maus que nos enriquecem enquanto pessoas. Tive treinadores que considerei verdadeiros “pais” para mim.

Atualmente é, além de treinador, aluno da Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias. De que forma é que o curso e a profissão se complementam e o ajudam?

Quando fiz 18 anos, acabei o curso de treinador. Não fiz o “típico caminho” dos meus colegas: não realizei os exames nacionais e, durante dois anos, apenas treinei uma equipa do Benfica. No Secundário, concluí um curso profissional de Mecatrónica de Automóveis e aprendi que é sempre bom experimentar várias coisas. Entrei na faculdade já como treinador e decidi estudar desporto. Ser treinador está a ajudar-me muito no curso.

Atualmente, olha-se para o desporto como uma hierarquia, em que no topo encontramos o futebol como “desporto rei”. Que papel atribuem os media ao Basquetebol?

Ao lado do futebol, não somos ninguém nem nenhum desporto o é. Mas o basquetebol tem uma palavra a dizer. Penso que os media criam um rótulo com resultados. Quanto melhores os resultados, maior a preponderância para os mesmos falarem dessa modalidade. Isso passa também pelo que o público quer ler ou ouvir.

Existem momentos que marcam a carreira de um treinador. Quais foram os seus?

Há jogadores das minhas equipas que me abordam para me agradecer pelo meu trabalho. Tive situações em que pessoas me vieram dizer que se lembram de mim e que recordam bons momentos comigo a nível profissional. É isto que me move. Campeonatos e taças ganham pó na prateleira, embora tenham, naturalmente, a sua importância.

Foi treinador de basquetebol masculino e feminino. Considera que a mesma frase do Gregg Popovic se aplica ao basquetebol feminino?

Sim, penso que só muda o facto de serem raparigas. O que muda é o processo de treino. Os rapazes querem correr e querem intensidade. As raparigas, até por questões hormonais, têm uma diferente fase de crescimento e exigem outro tipo de treino, com intensidade também, mas, fora de campo, merecem outra atenção.

Ticha Penicheiro, talvez a melhor jogadora de basquetebol que jogou em Portugal, afirmou ao jornal Record que “nunca devemos procurar exemplos, mas sim ser o exemplo”. Conheceu até hoje alguma jogadora que tenha sido um “exemplo”?

Conheci várias. Uma rapariga da minha primeira equipa, a Marta Vargas, por exemplo. No escalão de sub-12, tinha mais anos de basquetebol do que os restantes colegas. Tudo o que lhe era proposto, realizava. E foi isso que a fez chegar onde está, nos Estados Unidos.

Conheci também, no basquetebol masculino, o Rafael Lisboa, o único jogador da formação que chegou à equipa sénior.

Projetos para o futuro?

Penso que o maior projeto é “ser-se melhor do que ontem”. Pretendo continuar a treinar a equipa em que me encontro, pois penso que está a ajudar-me bastante.

    
2019-06-17
Jaime Lourenço
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