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Carina Leitão: “Com o Filipe La Féria, há uma exigência grande, mas positiva”

Carolina Piedade 15 Jun 2019 Entrevistas

Começou a trabalhar como professora primária e é, hoje, protagonista dos musicais infantis mais famosos em Portugal, encenados por Filipe La Féria. Natural de Lisboa, acredita que o mais importante é “estudar, mesmo que a prática no palco seja melhor”.

É a personagem principal no musical “Rapunzel”, em cena no Teatro Politeama. Como está a ser protagonizar uma das mais conhecidas princesas da Disney?

Está a ser muito giro, porque ela é uma adolescente. Não sabe que é uma princesa, vive com a mãe numa torre e essa é a única realidade que conhece. Mas ela sente que foi feita para mais. Por isso é que pinta as paredes com os sonhos que vai tendo e sonha com um mundo que nunca viu, mas que sabe que existe. Quanto à construção da personagem, primeiro, tenho de ter a capacidade de poder ser só uma adolescente normal, que quer a liberdade, que quer seguir os seus sonhos ; depois, a capacidade de perceber que sou uma princesa.

Como chegou ao elenco e a personagem principal dos musicais de Filipe La Féria?

Fiz uma audição em 2015 para “O Musical da Minha Vida”. Recebi uma chamada da produção, a dizer que o Sr. Filipe tinha gostado muito da minha voz e gostava que eu fosse fazer alguns coros durante os ensaios. Convidou-me para integrar o elenco do musical, com um pequeno papel. Depois, aconteceu “A Pequena Sereia”, em que o Sr. Filipe me convidou para fazer o papel principal, e o “O Aladino”, no ano seguinte.

Como é trabalhar com Filipe La Féria?

Portugal não é um país em que as pessoas valorizem o teatro musical. Espanha já tem uma cultura de teatro musical incrível, muito próxima de Londres. Filipe La Féria é o único encenador que se atreve a pôr em cena vários musicais. É exigente, o que é bom porque eu também sou. É super sonhador e isso implica muitas horas de ensaio. Este mundo é muito difícil e, com o Filipe La Féria, há uma exigência grande, mas positiva!

 

Concluiu um curso profissional de Teatro Musical, na Escola de Danças Sociais e Artes de Espetáculo (EDSAE). Até que ponto esse curso a ajudou a evoluir no mundo do espetáculo?

Ajudou muito. Nunca tinha feito teatro profissional antes de começar a EDSAE. Comecei como cantora muito cedo, a cantar fado. Depois, tive uma banda e atuei em bares. Em termos de teatro, abriu-me a visão para tudo o que pode acontecer neste mundo, deu-me as bases. É claro que, depois, só estando nos sítios é que vais conseguir crescer mais.

Foi professora do 1.º Ciclo num colégio. Como foi a ‘passagem’ de professora para atriz?

Na altura em que estudei na EDSAE, tinha concluído o curso de professora de 1º. Ciclo. Ainda com 16 anos, tomei a decisão, junto com os meus pais, de ter um ‘plano B’, não ser só cantora. Pensei em frequentar um curso superior e a minha outra paixão era ensinar crianças. Quando terminei o curso e fui colocada no Colégio da Bafureira, conheci os Karadepalko que me abriram o ‘leque das possibilidades’ do teatro musical em Portugal e me falaram da EDSAE. Então, fui percebendo que havia um caminho e uma possibilidade. Mas custou-me muito ter que escolher…

Pretende permanecer no teatro em Portugal ou gostaria de, um dia, fazer espetáculos em Londres ou até na Broadway?

Adorava fazer espetáculos em Londres, na Broadway e também em Espanha. Madrid é uma cidade que me tem atraído bastante. Já fui a Madrid ver peças e adorei. Enquanto cantores e atores, estamos sempre muito atentos às audições. Em Londres e na Broadway é difícil, porque as audições são fechadas e é só através de agentes ou agências. Mas sempre que há alguma coisa, tenho sempre vontade de, pelo menos, tentar, de me dar a conhecer.

Como concilia os espetáculos da “Rapunzel” com os espetáculos de “A Severa”?

Os espetáculos de “A Severa” acontecem de quarta a domingo e os da “Rapunzel” de terça a domingo. Temos uma folga, o que é um bocadinho duro, quando temos dois espetáculos a decorrer. Pode parecer fácil, mas inclui uma preparação física e vocal muito grande. Na “Rapunzel”, sou uma princesa e adolescente energética, que adora coisas novas. Em “A Severa”, sou a Malhada, uma empregada da taberna, pobre e que sofre de tuberculose. Tem sido muito exigente, porque tenho de passar de um extremo ao outro no mesmo dia.

Mas consegue o equilíbrio entre as atuações?

No processo de ensaios foi mais difícil. Tanto tinha de ser uma adolescente feliz, como uma mulher que se desiludiu com a vida. Psicologicamente, houve momentos em que precisei de falar com colegas, de dizer que esta personagem me estava a consumir… Passo a peça inteira a ter de trazer a minha pessoa para uma diferente, que está sempre muito em baixo, muito triste. A Rapunzel acabou por me ajudar a fazer um equilíbrio saudável entre as duas personagens.

Em função desses desafios tão exigentes, que conselhos daria às pessoas que procuram entrar nesta área profissional?

Acima de tudo, ter mesmo a certeza de que é o que querem e que gostam. Depois, devem perceber que estarmos a fazer o que gostamos também tem os seus pontos negativos, porque há momentos em que estamos muito cansados, envolve muito a parte física e psicológica. Defendo que é necessário estudar, mesmo que a prática no palco seja melhor. E nunca desistam!

Considera que, hoje, há mais oportunidades para os jovens se tornarem atores?

Mais oportunidades há de certeza, mas há, acima de tudo, mais informação. Agora os jovens conseguem perceber melhor por onde ir e quais as possibilidades que existem.

    
2019-06-15
Jaime Lourenço
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CineUAL: Parasitas (2019)

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Da imortalidade literária às tentações digitais

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