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A noiva

Luís Carmelo 02 Jul 2021 Crónicas, Crónicas

O outono veio corromper o sufoco. A terra estava cansada e o dia caiu dentro da noite, tal como um rosto se pode converter numa árvore em estado de iniciação. O problema é saber encontrá-la, perceber que é essa a nossa própria árvore e não outra. Foi esse o início da caminhada do arqueólogo que quase mastigava a terra como forma de a saber sagrada.

Havia também um louco nas redondezas, um desses loucos que vagueiam em todas as cidades. Este tinha a particularidade de vestir sempre uma gabardina que não possuía botões. Escapava-se às muralhas da cidade que a isolavam do universo e atrevia-se também à floresta cerrada, embora fosse de serrania baixa, mas sempre pejada de altos sobreiros, oliveiras, azinheiras e um interminável novelo de silvas e de décimas ocultas por pronunciar.

O louco espiava o arqueólogo e ambos colocavam as mãos nas rochas graníticas, nos trilhos criados por ribanceiras ancestrais e nos alinhamentos suspeitos de ter ali existido vida noutros tempos. Um e outro falavam com os mortos e os mortos acenavam como só eles conseguem fazer: esboçando no céu os atalhos que se secundam no chão do mundo.

O fotógrafo chegou ao local vindo de muito longe. Apaixonou-se logo por uma actriz que, tal como ele dizia, circulava sempre no limite da sombra. Tinha o carisma de saber sorrir em contraluz. Eram agora quatro a indagar os segredos da grande mata. Cada um desejava encontrar a sua árvore, mas mal se conheciam, razão por que percorriam veredas diferentes, vielas de mato quase sem saída, caminhos deligados e obscuros.

Quem os juntou foi uma poeta revoltada que tinha morrido há algumas décadas. Ao fim da tarde, escrevia no céu os traçados certos, ainda que fosse preciso compreender os sinais, domesticá-los, persegui-los tal como se assedia um javali ferido e foragido. E os quatro, o arqueólogo, a actriz, o louco e o fotógrafo, repetiam-lhe efusivamente os versos e passaram a sentar-se à mesma mesa e a beber dos mesmos jarros, logo que reentravam na cidade.

A amizade é uma superfície que se ergue debaixo do solo, embora cresça com relativa lentidão, movendo as pás e as mós invisíveis do seu próprio moinho, mas quando o pão se reparte, eis que cada um dos novos amigos pareceria ter encontrado a árvore que lhe estava destinada. Agora perambulavam juntos pela cidade, embora o louco, a quem nunca ninguém perguntara o nome, caminhasse sempre uns cinco metros atrás. O fotógrafo marcava o território com a leica ao passo que o arqueólogo sondava o purgatório, ou seja, a montanha invertida que replicaria em profundidade a elevação onde a urbe se tinha soerguido ao longo dos séculos. Os dois acreditavam que os sortilégios se agarram com a mão, enquanto a actriz decorava palavras de Strindberg e estava plenamente convencida de que a única coisa tangível que existia no cosmos era o seu corpo.

Muito cedo, raiava ainda a madrugada, houve um dia em que uma nuvem de pássaros se imobilizou por cima da catedral. E o louco – que viu o acontecido – disse que dentro daquela nuvem de penas estava o pensamento da poeta. O mais perfeito dos casulos aéreos. O arqueólogo, a actriz e o fotógrafo desestimaram a voz do homem, para quem as casas dos botões da sua gabardina eram versos por escrever. No entanto, todos desconheciam que a cidade tinha um segredo: adoraria viver a sós, sem qualquer habitante a habitá-la, a vivê-la, a desflorá-la. Terá sido sempre esse o seu desígnio e apenas o fotógrafo o intuiu, pois, nas fotografias que tirava, raramente aparecia o que antes havia focado. Registavam-se sempre grandes surpresas. As pessoas desapareciam. Talvez a cidade acolhesse agora melhor o pensamento da poeta – ainda que sob a estranha forma de uma nuvem – do que antes tolerara a sua presença física.

Nessa mesma tarde regressaram à floresta e perderam-se uns dos outros. Cada um procurou a sua árvore ao longo de horas e horas. Horas que se fizeram dias e dias que se fizeram meses. O trabalho do fotógrafo foi de longe o mais lento. É sempre difícil encontrar as imagens certas. Bem mais do que determinar a posição exacta no palco, bem mais do que as sondagens que definem o ponto preciso de uma escavação e bem mais do que elevar o zénite da loucura. Mas depois de ter fotografado a maioria das árvores, em quatro delas a revelação deu a ver, não os troncos, as folhagens e a geometria das copas, mas os rostos dos quatro exploradores desta terra a que os antepassados chamavam sempre noiva.

Por terem descoberto as suas próprias árvores, os quatro regressaram à cidade para festejar. Passaram pelas gárgulas e pelas muralhas e não desvendaram vivalma. A cidade encontrava-se desabitada, vazia, sem um único ser vivo a calcorrear pelos passeios ou a povoar as casas. Um tempo sem começo é um tempo que sempre existiu: sem origens, sem contagens estéreis, sem história pensada ou mesmo cumprida. Deveria ser esse o caso, acenou o louco. O arqueólogo não o acompanhou na subida ao terraço da catedral. Preferiu escavar um túnel com o objectivo de encontrar o outro lado da cidade, agora adormecida. O fotógrafo e a actriz continuaram abraçados na grande praça como se a sua calçada fosse uma cama sempre por fazer. E ali ficaram até hoje deliciadamente a foder.

Este texto foi publicado no jornal “Hoje Macau” e é aqui reproduzido com a devida autorização do seu autor.
    
2021-07-02
Ana Cabeças
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