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As saudades sem mundo

Luís Carmelo 25 Jun 2021 Crónicas, Crónicas

O homem move o polegar e o indicador da mão direita. Fá-lo em círculos sucessivos que fazem lembrar a espuma a explodir na rebentação das ondas. Não retira os dedos do botão do rádio, atento ao ruído que se ouve entre as raras estações muito distantes que se captam. O número de decibéis varia, as interferências sucedem-se e a distorção altera a forma do sinal.

O homem sabe por experiência própria que o ruído é branco quando se torna constante em todas as frequências. Talvez a largura de banda se revele insuficiente ou tudo não passe de desvanecimento, o que acontece quando a propagação dos sinais se faz por múltiplos percursos. Estranhas amplitudes de uma noite quase sem fim. Nos dedos da mão esquerda, a cinza do cigarro morre e cai para o chão sem que o homem dê conta. A frequência perde-se outra e outra uma vez.

O Diderot avança pelo meio do oceano com a atroada das comunicações a balbuciar estes sons ora compassados, ora estridentes. Lê-los é desobedecer, perceber que funcionam como um cosmos desintegrado, entender que as quebras da emissão são o convite para conquistar uma armada distante que nunca se rende. O homem sabe disso e espelha-o com um sorriso cáustico, pois tudo ali, na exiguidade da cabine, se oculta em surdina sob o peso das vibrações convertidas numa cadeia de obscuros rugidos metálicos.

Outro cigarro se acende para que a cinza volte a morrer e o fumo penetre nas vigias circulares de onde se avista a proa a afastar-se da linha do vento. O futuro é um nó que se desata, um amanhã infiel, uma invasão que resiste a qualquer ordem. A linguagem indecifrável do rádio é uma espécie de voz do futuro e nem o próprio homem, tão batido por estes ofícios de escuta, imagina que há uma mulher no mundo que, daqui a quatro décadas, se entregará à tarefa de averiguar as origens desta viagem.

Essa mulher existe antes ainda de ter nascido, tão desejada ela é, e, nos compartimentos a estibordo, a futura mãe dilui-se no sonho de sonhar com o homem que dorme a seu lado no beliche e que a foi buscar a Vancouver. Também ele sonha e, talvez por ter incorporado há dias e dias o ruído roufenho do rádio como pano de fundo (o Diderot já desceu o Pacífico desde o Canadá, atravessou o canal do Panamá e entrou depois no Atlântico a caminho da Europa), associa o burburinho não apenas a uma metáfora do futuro, mas também do passado e visiona a filha imaginária à procura do rasto desta viagem que nunca terá existido. Refira-se, de qualquer modo, que os sonhos têm uma apetência igual a todas as grandes histórias: eclipsam-se no bulício que as perfaz e destina.

De manhã, o ar fresco invadiu o convés e o jovem casal sentou-se a observar o horizonte hoje completamente limpo de nuvens. Um e outro no ponto de abalo que é a marca de um início de vida. Ela a regressar à Europa, agora que a guerra terminou há quase dois anos, e a lembrar-se da fuga ao nazismo num dos últimos navios americanos que partiu de Roterdão. Ele que nunca a esqueceu desde os tempos em que se conheceram numa festa em Leiden.

É certo que não existe hospitalidade na leitura do mundo. O sentido é um curto-circuito que apenas esporadicamente se transforma em explosão. Todavia, para compreender o que se avizinha – ou o que estará por vir – a tentação manda que se procure sempre uma luz sob a qual persiste a mais estranha das obscuridades. Há exemplos que falam por si. No ano de 2017, em entrevista à neta do homem que continua a tentar sintonizar o rádio, Steiner contou algo que se passou ao mesmo tempo que esta viagem do Diderot decorria. Começou por revelar que fora visitar o pai a Nova Iorque e que lhe deu conta de duas boas propostas de universidades americanas de topo. O pai de Steiner já bastante doente, reflectiu e comentou: “Só tu podes decidir. Mas se deixares a Europa, Hitler terá ganho”. Steiner ligou imediatamente à mulher e foi muito assertivo: “Não suportaria sentir de novo o desprezo contido nessa frase do meu pai. Seja o que for que tivermos que fazer, regressamos à Europa.”.

No caso de Steiner, o regresso à Europa teve a carga e o sentido de uma vida que jamais se submete. O mesmo aconteceu com os nossos dois viajantes do Diderot. Dois dias depois, chegou via rádio a autorização para o desvio de rota. Tratava-se de fazer escala em Lisboa antes da chegada prevista para Southampton. Foi aí que tudo se reiniciou. A filha do casal, Cláudia, viria a nascer em Tomar no ano seguinte, em 1948. Passou parte importante da vida a dar a volta ao mundo e a pesquisar todos os vestígios da sua família materna. Tudo desapareceu à excepção de uns primos distantes que conheceu em Limoges. Eram as saudades à procura do seu mundo, pois a ausência merece um lugar em tudo igual à presença.

Pelo seu lado, o homem do rádio nunca deixou de mover o polegar e o indicador em rotações continuadas que sempre associou à espuma da rebentação das ondas. O pai de Cláudia acompanhou-o durante inúmeras horas ao longo da viagem e, até ao fim da vida, manteve nos ouvidos aquele sussurro fanhoso e martelado. Era não apenas uma metáfora física do futuro e do passado, mas igualmente de um tempo para o qual não existem denominações, nem um nó-górdio possível. Um tempo estrangeiro, um tempo de extravios, um tempo de ruídos brancos em todas as frequências.

“Outro cigarro se acende para que a cinza volte a morrer e o fumo penetre nas vigias circulares de onde se avista a proa a afastar-se da linha do vento. O futuro é um nó que se desata, um amanhã infiel, uma invasão que resiste a qualquer ordem.”

Este texto foi publicado no jornal “Hoje Macau” e é aqui reproduzido com a devida autorização do seu autor.
    
2021-06-25
Ana Cabeças
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