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-Início»Entrevistas»“Ter assinado pelo Benfica foi tão importante como ter sido campeão do mundo”, João Ribeiro
Fotografia | Página Facebook João Ribeiro

“Ter assinado pelo Benfica foi tão importante como ter sido campeão do mundo”, João Ribeiro

Pedro Andrade 21 Mar 2019 Entrevistas, Entrevistas

João Ribeiro, 29 anos, canoísta do Sport Lisboa e Benfica. O campeão do mundo em K2, em 2013, relembra este momento mágico na sua carreira, fala sobre o seu colega Fernando Pimenta e sobre o seu amor incondicional pelo Sport Lisboa e Benfica.

Como foram os seus começos na modalidade?
Foram como qualquer atleta de canoagem. Lembro-me que no primeiro dia virei 11 ou 12 vezes, mas saí com vontade de voltar no dia seguinte e de aprender mais! Nessa altura jogava futebol e depois comecei a praticar canoagem. Ia alternando, inverno futebol e verão canoagem, até que entrei na seleção nacional, em 2005, e decidi dedicar-me a 100% à canoagem.

Qual o momento que sentiu que poderia fazer alguma coisa especial enquanto praticante?
Não posso dizer que houve um momento exato, apenas a partir de 2005, com entrada na seleção nacional, fui ganhando o meu espaço e subindo degrau a degrau.

A partir da primeira vitória, em Itália, no Festival Olímpico da Juventude, e até aos dias de hoje, já conquistou inúmeros títulos. É seguro dizer que a conquista mais saborosa foi aquando da vitória da medalha de ouro em K2 500 metros, na Alemanha?
Sim, todas as conquistas são especiais e únicas, mas em 2013 foi, sem dúvida, um dos momentos mais altos da minha carreira.

O que separa um atleta de topo, dos outros?
O trabalho e o empenho, juntando o talento de cada um. Estas caraterísticas é que fazem essa seleção natural.

A canoagem, sendo um desporto outdoor, possui características que mais nenhum outro desporto possui. Dou o exemplo dos dias mais frios e chuvosos. Como é que encara esses dias mais difíceis e que imagino, sejam mais difíceis de ultrapassar?
Sem dúvida que o frio e o vento são dois fatores que prejudicam o treino. Mas quando temos objetivos bem definidos, e os queremos alcançar, tudo isso é ultrapassável. Em relação à chuva, até gosto, por vezes, treinar com chuva, principalmente quando treino sozinho. Fica um silêncio no rio e sinto-me em sintonia com a natureza.

Tendo em conta que a canoagem não tem a atenção de outros desportos em Portugal, consegue fazer uma pequena imagem dos pormenores que podem deitar tudo a perder numa corrida ou que, pelo contrário, podem elevar o atleta a uma vitória?
A canoagem tem varias categorias, desde o k1, k2, ao k4. Em barcos individuais (k1), só depende do teu desempenho e do teu foco. Em embarcações de equipa (k2 e k4), tem que haver uma sincronização entre os atletas e todos têm de estar a 100%, para tudo sair bem.

Quais as diferenças na preparação mental e física, da estratégia do próprio atleta, para encarar uma prova de 500 metros em relação a uma, por exemplo, de 1000?
São provas diferentes, os 1000 metros requerem muita mais resistência de que os 500 metros. Os 500 metros é uma prova mais aberta. Nos 1000 metros, ainda dá para recuperar algo que corra mal durante própria a prova, apesar de ser muito difícil. Nos 500 metros, não há margem para erros! Por isso, só por aí são preparações físicas e mentais completamente distintas.

As conquistas da canoagem portuguesa tiveram uma grande expressão no país e uma importância ímpar na comunicação social e na sociedade portuguesa. É o impulso que a canoagem necessita para ganhar mais atenção e importância no país?
Acho que nunca vamos ter a atenção que todos os atletas de canoagem desejam, mas hoje em dia toda a gente sabe o que é canoagem. Quando eu entrei, chamavam remo à canoagem. Agora tenho visto o contrario… Ainda assim, é sem dúvida uma conquista importante.

Como caracteriza os feitos de Fernando Pimenta, principalmente, no último mundial? Pode-se dizer que o Fernando é o maior símbolo da canoagem em Portugal, atualmente?
Sim, o Fernando é o melhor atleta que a canoagem já teve! Nunca houve ninguém como ele e, num futuro próximo, também não haverá, mas a canoagem portuguesa não pode viver só com os resultados do Fernando Pimenta. A federação tem de valorizar toda a equipa.

O João é, atualmente, um dos ativos mais importantes do designado “Benfica Olímpico”. Como descreve a sua parceria com o Sport Lisboa e Benfica?
Foi um sonho concretizado quando recebi a proposta do Sport Lisboa e Benfica. Ficarei no Benfica para o resto da minha vida desportiva. Ter assinado pelo Benfica foi tão importante como ter sido campeão do mundo.

Que podemos esperar do João nos próximos tempos e nas próximas grandes competições?
Vou continuar a trabalhar e a dar o meu melhor. Acredito que ainda tenho muitas coisas boas para ganhar e vou honrar a camisola do meu Sport Lisboa e Benfica e da Federação Portuguesa de Canoagem.

Esta entrevista é da responsabilidade do projeto “O Desportista” e as opiniões devem ser atribuídas aos autores devidamente identificados. O UALMedia e a UAL não se responsabilizam pelos conteúdos aqui publicados.
5   
2019-03-21
Diogo Carapinha
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