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-Início»Entrevistas»Darko: “Atirei-me a um novo caminho e fiz o que pude para lidar com as consequências disso”
Andy Dyo

Darko: “Atirei-me a um novo caminho e fiz o que pude para lidar com as consequências disso”

André Oliveira 16 Ago 2016 Entrevistas

Aos 28 anos, Darko está de regresso, aos palcos, com Overexpression. Um disco feito com muita «maturação e entrega», confessa o próprio, depois de quatro anos sem editar. O UALMedia esteve à conversa com o artista, que se mostra muito feliz com a receção do público ao projeto.

Acaba de lançar Overexpression, quatro anos depois do primeiro disco a solo. Como é que está a viver este regresso à música?
Na realidade não podemos regressar a locais dos quais nunca partimos. Há fases menos visíveis do processo e das quais o público não faz parte à partida. Foram quatro anos de maturação e entrega para que, neste momento, lhes fosse oferecido o disco que pretendíamos. Estou profundamente grato, precisamente, por terem aguardado e acreditado que a espera valeria a pena. Creio que valeu.

“Tento não racionalizar a minha obra, porque quero que continue a encerrar emoções cruas e genuínas”

Como têm sido os primeiros feedbacks com a recém-chegada do projeto?
A crítica tem sido simpática e o público tem acolhido o Overexpression com o carinho habitual. Ainda é cedo para fazer balanços e sabemos que há um longo caminho pela frente, mas o retorno que tivemos de singles como ‘Crying Out’, ‘Fomos Somos’ ou ‘Não me digas’ foi um ótimo indicador do que suceder futuramente.

Neste disco teve a oportunidade de gravar com grandes vozes da música nacional, como Mafalda Arnauth ou Filipa Azevedo. Como surgiram estas parcerias?
Surgiram com a mesma espontaneidade de cada um dos temas. Tento não racionalizar a minha obra, porque quero que continue a encerrar emoções cruas e genuínas. Essas vozes foram convidadas porque acreditei serem as certas para os temas em questão, entre veteranas e estreantes sei que tive o privilégio de ser agraciado com talentos incríveis e cruzar-me com seres humanos maravilhosos.

Na sua opinião, qual é o tema mais especial desta compilação?
Entre ‘Não me digas’ e ‘Paralyzed’ deverá recair a escolha. “Não me Digas” porque foi um tema muito visceral e honesto. Um pedido de desculpas a alguém que realmente me fez falta e ensinou tremendamente com a sua ausência. Por outro lado, “Paralyzed” aborda o pelouro mais frágil da minha construção enquanto ser humano que é o da família. Contei com a participação da artista americana Leah Andreone, que sempre foi um dos meus ídolos de adolescência e que acedeu a participar no tema quando lhe contei a história do mesmo.

“Na arte não pode nem deve haver barreiras”

O inglês mais uma vez volta a ser a língua predominante neste disco, ainda que inclua gravações em língua materna. De que forma o idioma influencia as mensagens que quer transmitir enquanto músico?
Não penso muito nisso. Deixo as coisas acontecerem. Sobrevivem as que têm que sobreviver. Tenho em mente fazer um EP integralmente em português, mas não ponho de parte a hipótese de cantar noutros idiomas ou de reformular estilos se o coração me direcionar por aí. Na arte não pode nem deve haver barreiras desse género.

Surgiu, individualmente, com o primeiro disco, Borderline Personality Disorder. De que forma este trabalho contribuiu para mostrar uma nova identidade na música?
Foi o primeiro passo possível. Era um disco que andava a formular na minha cabeça desde 2006. Incluí temas como ‘Define Joy’ ou ‘Para nunca Mais Acordar’, que foram escritos quando tinha 16 anos e arrumados numa gaveta. Atirei-me a um novo caminho e fiz o que pude para lidar com as consequências disso, sem saber se estava preparado. Fiz o melhor que soube e não correu mal.

Como é que surgiu a ideia de assinar como “Darko”, em detrimento do próprio nome?
José Manuel Correia Ferreira Bicho não me parece o nome indicado a uma carreira artística. Foi uma mera questão de gosto. O meu não seria de certeza. Calhou ser Darko, podia ter sido L’illusioniste.

Para além de cantor, já teve oportunidade de publicar um livro, Inquietude, em 2009. Está nos planos voltar ao mundo da escrita?
Nos planos está, agora nunca consigo prever o tempo certo para partilhar certos projetos. Exige dedicação e disciplina e não gosto de correr o risco de querer fazer tudo e não saber fazer nada. Surgirá a seu tempo. Escrevo muito, escrevo sempre. Seja no Facebook ou no meu blog, o L\’enfer c\’est Les autres.

“Sou a favor da harmonia, da humanidade e contra o preconceito”

É também sócio fundador da Associação Portuguesa de Crianças Desaparecidas. De que maneira esta instituição o tem moldado. Considera-se uma pessoa de causas?
Sempre fui! Sou a favor da harmonia, da humanidade e contra o preconceito. Sou a favor de todos os que respeitem essa mesma humanidade. Esta causa enriquece a minha certeza de que tenho funções no mundo e de que há muito por fazer. É uma causa complexa porque se apoia na prevenção e chega a ser uma causa fantasma porque não são visíveis as tantas crianças que desaparecem e que são vítimas de exploração sexual sem que tal flagelo escolha extrato social ou localização geográfica.

Como tem visto os últimos acontecimentos em relação aos refugiados espalhados pelo mundo, que já rondam os 60 milhões, onde se incluem crianças?
Neste momento há cerca de 15.000 crianças refugiadas que desapareceram na Europa sem deixar rasto. Naturalmente que estes fatores são preocupantes pela abundância de crianças migrantes não acompanhadas que circulam sem qualquer segurança, tornando-se alvos fáceis e apetecíveis. Impera criarmos novas políticas e mecanismos de proteção, para que possamos combater tais problemáticas.

OVEREXPRESSION

Lançado a 10 de junho, o novo disco de Darko conta com a participação especial de artistas nacionais e internacionais. Com 15 temas originais, 12 interpretados em inglês e três em português. Os singles Não me Digas e Fomos Somos, contam com mais 100 mil visualizações no YouTube.

    
2016-08-16
Autor UALMedia
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