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-Início»Rubricas»Boarding Gate: Núria Silva

Boarding Gate: Núria Silva

Diogo Carapinha 19 Fev 2019 Rubricas, Rubricas

Boarding Gate é uma rubrica onde destacamos desportistas portugueses espalhados pelo mundo. A convidada desta semana é Núria Silva, jogadora de voleibol do Vasas Röplabda, da Hungria.

Começando pelo atletismo, no salto em altura e salto em comprimento, Núria Lopes da Silva desde cedo mostrou-se apaixonada pelo desporto. Após se mudar de Lisboa para Sesimbra e, obrigatoriamente, ter acabado de vez com o atletismo, decidiu experimentar o voleibol, aos 15 anos. Com aproximação do início da carreira universitária, surgiram oportunidades, através do voleibol, para estudar e jogar profissionalmente, mas no estrangeiro. Jogou e estudou em Espanha, durante dois anos. Após este tempo, recebeu uma bolsa universitária para ir para Hofstra University, em Nova Iorque, prosseguir com os estudos e jogar na liga máxima de voleibol, a D1 CAA Conference, terminando lá a sua licenciatura em Comunicação Social – Relações Publicas MKT e Jornalismo, tendo feito inclusive um minor em Filosofia. Dedicando-se, nesta fase da sua vida, profissionalmente ao voleibol, já jogou na Áustria, Alemanha, Suíça e, com de 27 anos, representa as cores do Vasas Röplabda, da Hungria.

Porta de embarque

A atleta portuguesa admite que o seu principal foco era conciliar os estudos superiores e a sua paixão profissional e desportiva, o voleibol. A mesma adianta que “naquela altura não haviam tantas opções para o fazer”. Assim, encontrou uma oportunidade de não descurar nem os estudos, nem o voleibol, arranjando, igualmente, uma solução para um dos seus problemas, “precisava de conseguir estabilidade financeira para fazer as duas coisas”, culminando na sua saída para o estrangeiro.

Cultura

Apesar das diferenças na cultura, Núria revela que a língua húngara é o que lhe causa mais problemas, “não se parece com nada, nem com alemão”. Confessa que não está confiante na aprendizagem da mesma, mas que já aprendeu algumas palavras com as colegas de equipa. Apesar deste entrave, afirma que a Hungria a tem surpreendido imenso. “As pessoas são muito simpáticas e Budapeste, onde resido, é uma cidade incrível e muito bonita”, argumenta. Relativamente à adaptação ao campeonato e à equipa, a atleta diz que “tanto o clube e como as jogadoras húngaras têm sido muito amáveis e atenciosas, o que tem ajudado imenso”. A jogadora espalha o idioma português, e a música nacional tem espaço no aquecimento, antes dos treinos e jogos. Descreve assim um balneário muito divertido e com ambiente positivo.

Momento mais marcante

A jogadora de voleibol recorda a passagem aos oitavos da Challenge Cup Europeia e a conquista do bronze da taça húngara. “O Vasas era uma equipa que muitos consideravam não tão forte e, este ano, estamos a conseguir eliminar esses estereótipos. Já nos levam a sério, tem sido muito importante! Temos tido um apoio fenomenal dos nossos queridos adeptos, que viajam para todo o lado connosco, e essas têm sido grandes motivações e momentos que têm marcado bastante a nossa temporada”, refere Núria.

Diferenças do desporto em Portugal

Apesar de não jogar em Portugal durante quase todo o ano, e ser assim mais complicado comparar as duas ligas, a portuguesa defende que existe muito talento, em Portugal, e que o campeonato nacional está cada vez mais competitivo. “Este ano houve equipas que também participaram em competições europeias e isso é bom. É necessário competir contra equipas estrangeiras e ver diferentes formas e estilos de jogo que existem, pois o voleibol feminino está a mudar imenso e é muito importante adaptarem-se a estas mudanças”, acrescenta Núria. Já o voleibol húngaro, apresenta características únicas, visto que “os húngaros são loucos por voleibol e o apoio é fenomenal”. A liga é bastante competitiva, segunda a jogadora, e começa a ganhar mais notoriedade, pois as suas equipas participam nas grandes competições europeias. As particularidades do campeonato húngaro têm permitido à atleta aprender a focar-se nos objetivos com mais precisão e aperfeiçoar as técnicas com mais eficácia. “Ter um bom treinador como o Jakub Gluszak, antigo treinador da equipa Kemick Police, da Polónia, tem ajudado bastante, uma vez que ele tem muita experiência e transmite-nos muitos conhecimentos acerca dessas responsabilidades, dentro e fora de campo”, acrescenta.

Em relação às melhorias, deixa um apelo, não só para Portugal, mas para a própria modalidade. Tornar o voleibol mais atrativo, com mais adeptos, trará mais apoios, mais notoriedade e, consequentemente, ajudará bastante as jogadoras, segundo a jogadora. “As ligas com mais apoios têm maior capacidade para ajudar os clubes e isso facilita no cuidado com as jogadoras, a nível de preparação e recuperação física, e oferece uma estabilidade financeira muito maior”, expõe Núria.

No que toca ao regresso a Portugal, mantém-se flexível a propostas. “O meu objetivo não tem um tempo definido, pois o que quero é continuar a crescer como jogadora, desenvolver cada vez mais as minhas capacidades dentro de campo, fazendo tudo isso com alegria. E, portanto, pode ser feito em qualquer lugar”, termina.

Esta rubrica é da responsabilidade do projeto “O Desportista” e as opiniões devem ser atribuídas aos autores devidamente identificados. O UALMedia e a UAL não se responsabilizam pelos conteúdos aqui publicados.
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2019-02-19
Diogo Carapinha
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