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-Início»Rubricas»TUaLER: “Prometo Falhar”, uma promessa cumprida

TUaLER: “Prometo Falhar”, uma promessa cumprida

Magda Coelho 10 Fev 2020 Rubricas, Rubricas, Críticas, Criticas

Sinopse:

“Prometo Falhar” é um livro de amor.

“O amor dos amantes, o amor dos amigos, o amor da mãe pelo filho, do filho pela mãe, pelo pai, o amor que abala, que toca, que arrebata, que emociona, que descobre e encobre, que fere e cura, que prende e liberta. O amor.”

“No seu estilo intimista, quase que sussurrado ao ouvido, Pedro Chagas Freitas leva o leitor aos estratos mais profundos do que sente. E promete não deixar pedra sobre pedra. Mergulhe de cabeça numa obra que mostra sem margem para equívocos porque é que é possível sair ileso de tudo. Menos do amor.”

Crítica:

Pedro Chagas Freitas caracteriza-se como “um gajo que escreve cenas”, cenas essas que fizeram com que o livro “Prometo Falhar” vendesse, em 2014, mais de 100 mil exemplares em Portugal.

Os textos e as frases do autor são um grande sucesso nas redes sociais, o que ‘provocou’ a minha curiosidade para ler este seu livro.

É um livro que tanto podemos começar a ler na página 1 como na página 100, visto que é composto apenas por textos e frases soltas. Este livro fala de todos os tipos de amor e dos mais variados modos de amar. O amor pela mãe, pelo amigo, pelo amante, pela namorada. É composto por textos soltos sem qualquer tipo de semelhança entre eles: o tema principal é o amor. Os textos não possuem títulos e há diversas personagens que se enquadram em textos e frases, personagens que nos transmitem casos de amor, perda, medo, insegurança e ciúme.

Primeiro, tenho de referir que a escrita do autor é bastante livre. Tão livre que não tem (ou quase não tem!) qualquer tipo de pontuação. Vírgulas, pontos finais e até parágrafos mais densos são algo que praticamente não se encontra neste livro. Letras maiúsculas, minúsculas, ora umas, ora outras… enfim, uma “salganhada” que acaba por gerar confusão.

Não é um livro que tenha uma história cheia de detalhes ou pormenores. É antes uma amálgama de pequenos textos que acabam por não ter um fio condutor consistente. Em 390 páginas, o autor não desenvolve absolutamente nada. Parece que estamos sempre a ler o mesmo.

Exemplos? Frases como: “Quem não arrisca um passo maior do que a perna é paralítico”, “Há palavras extraordinárias e sou tua é uma delas só que duas”, “Mata-me agora mesmo se tudo o que tens para me dar é continuação. Continuar que se vá encher de moscas”, “Ainda nem estou contigo, mas já estou a sós” e, por fim, “Fi-lo sem pensar mas a gostar, admito, a rima não foi propositada, desculpa.”

Na minha perspetiva, frases deste género não fazem muito sentido, pois além de não estimularem o lado bom da leitura, como a imaginação, acabam por não potenciar uma interpretação. Enfim, histórias banais, repetitivas, ocas.

A vontade de abandonar a leitura foi grande, mas a teimosia em perceber o porquê de este ser o livro com mais de 100 mil exemplares vendidos em 2014 foi maior ainda. Li-o todo, mas acabei por me desiludir com esta “‘grande’” obra. Tornou-se aborrecido, de tão “cliché”.

A procura de um desenrolar da narrativa ou de um texto com princípio, meio e fim não foi bem-sucedida. Nada! “Prometo falhar” é o título mais fiel que já vi num livro, pois o autor falhou redondamente.

    
2020-02-10
Jaime Lourenço
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