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-Início»Reportagens»Casal Ventoso: reminiscência do passado

Casal Ventoso: reminiscência do passado

Bárbara Moreno 31 Jul 2019 Reportagens, Reportagens

As ruas que outrora estavam cheias de pessoas para comprar droga aos traficantes do bairro encontram-se completamente desertas. Mas o tráfico não acabou. Deixámos de ouvir “Casal Ventoso”, mas a conotação dessa expressão mantém-se presente até aos dias de hoje.

É a meio de uma das ruas mais conhecidas de Lisboa, Rua Maria Pia, que se situa a tão dita Meia Laranja. A expressão surge exatamente pelo facto de formar uma meia-lua nesta parte da rua e por ser muito conhecida pelo tráfico existente nela. Daqui vê-se o que restou da demolição do Casal Ventoso. Foi dividido em três bairros que continuam até Alcântara: a Quinta do Loureiro, a Quinta do Cabrinha e a Avenida de Ceuta Sul.

O bairro foi demolido há 20 anos. São 248 as famílias do Casal Ventoso que foram realojadas e distribuídas pelos bairros. O processo de realojamento foi organizado pela Câmara Municipal de Lisboa, em fevereiro de 1999.  Todavia, a essência do bairro persiste no tempo, ainda que em sítios diferentes.

É numa pequena colina, que liga a Meia Laranja ao início da Quinta do Loureiro, que se encontram fragmentos da prevalência dos vícios do passado. Há que se ter cuidado enquanto se percorre a terra batida e a vegetação que chega à cintura, para não se pisar seringas usadas e com vestígios de sangue.

Quando os voluntários da associação CRESCER vão aos três bairros que constituem o antigo Casal Ventoso, tentam garantir que indivíduos dependentes de drogas possam consumir de forma segura. Recolhem seringas usadas e fornecem seringas limpas e materiais esterilizados, para reduzir infeções e doenças entre os toxicodependentes. A associação trabalha também a favor da inclusão dos grupos em maior situação de vulnerabilidade e exclusão, através de projetos de intervenção na comunidade. Aceitam a toxicodependência e tentam dar-lhe mais condições.

A prevalência dos vícios

Mas na Rua Maria Pia o tráfico continua a acontecer aos olhos de quem queira ver. A prata é passada às mãos dos toxicodependentes, para que esses possam queimar a droga e consumir ali mesmo. As palmas das mãos dos consumidores estão pretas de queimar a prata, o que não é bom para as suas feridas, porque a sujidade origina infeções. Não há receios e muito menos preocupações. Exceto quando a polícia aparece.

Sentados no chão, atrás dos prédios que ligam à rua do Centro Social José Luís Coelho, estão duas mulheres e um homem. Enquanto elas estão a injetar-se no braço, Rui opta por injetar-se no pénis, porque as veias já chegaram ao limite, isto é, estão repletas de necrose (morte do tecido), de tanto se injetar. Como Rui, há outros.

“Isto que se vê agora era uma brincadeira comparando com 15, 20 anos atrás. Chegávamos a ficar horas à espera em filas p’ra comprar um bocado de heroína da pura”, comenta Paulo, 53 anos, ex-toxicodependente. “Eu não me injetava, nunca me injetei. Apenas fumava. E, nessa altura, não havia cá pessoas de instituições nenhumas a oferecer-nos papel de alumínio p’ra queimar a droga”, acrescenta.

De ruas cheias a espaços de consumo

Os corredores e ruas amontoados de pessoas, que viviam na zona ou se deslocavam de outros sítios, foram substituídos por pequenos grupos de pessoas em cafés, casas ocupadas e sítios específicos para consumir e/ou comprar droga.

“Anda uma pessoa a trabalhar para pagar a sua casinha, p’ra virem estes vândalos estragar as casas”, exclama Conceição, 62 anos, moradora da Quinta do Cabrinha. As casas ocupadas são moradias que se encontram completamente destruídas por toxicodependentes, jovens ou traficantes, para que se possa consumir, traficar ou até mesmo descansar, sem que se pague renda. São alguns os espaços ocupados pelos bairros. Inclusive, algumas das casas que a Câmara Municipal de Lisboa fornece às famílias mais carenciadas, estão ocupadas sem que a mesma saiba.

A Quinta do Cabrinha e a Avenida de Ceuta Sul são dois bairros que se dividem pelos lados da estrada que vai dar a Alcântara. A Santa Casa e a Escola Superior de Saúde da Cruz Vermelha Portuguesa encontram-se no meio, fazendo de linha de divisão entre os bairros Quinta do Cabrinha e Ceuta Sul e o bairro da Quinta do Loureiro que está na outra extremidade.

Ao final da tarde, descendo a escadaria junto da Santa Casa, é comum observar-se alguém a traficar, seja na rua ou dentro de carros. O tráfico continua ativo e cada vez mais denso, simplesmente é mais encoberto.

A decadência e a pobreza ainda persistem na vida de quem habita nos bairros. Por trás da Santa Casa dormem alguns sem-abrigo. Muitos deles foram expulsos de casa por estarem constantemente a roubar a família para alimentarem os seus vícios, sejam esses a bebida ou droga.

A mentalidade dos estagnados

A patrulha da polícia é constante e sempre de surpresa. Ouvem-se as sirenes e o pânico instala-se nos cafés de qualquer um dos bairros. Há quem corra, quem se esconda em casa, quem entre no carro e carregue prego a fundo. Mas em vão. As informações dos negócios clandestinos são vazadas e as forças policiais chegam aos cabecilhas.

“O meu marido está no EPL há seis anos. Os meus filhos só o veem ao fim de semana” conta Paula, 35 anos, moradora da Avenida de Ceuta Sul. São vários os pais solteiros. Experienciam na pele, as consequências da vida do crime. As maiores vítimas da persistência do crime nos bairros são as crianças e os jovens, as gerações futuras. Sem qualquer ambição, seguem as pisadas dos seus familiares, percorrendo o caminho mais fácil para o dinheiro.

“Não curto de estudar. É horrível estar fechado numa sala a ouvir aqueles ‘stores a dizer coisas que não interessam p’ra nada”, desabafa Cristiano, 15 anos, estudante da Escola Manuel da Maia. “Os ‘stores não querem saber de nós p’ra nada. Só sabem ‘tar ali sentados a dizer o que devemos fazer. Não tenho paciência p’ra isso”, acrescenta. Sem motivação escolar e força da família para continuarem a estudar, vivem da forma mais despreocupada. As novas gerações crescem a ouvir histórias de quem viveu no Casal Ventoso nos tempos mais críticos, seguindo as pegadas dos seus familiares.

“Nunca tive cabeça p’ra escola. Nenhum dos meus pais acabou a escola. A minha avó sempre me disse que estudar era p’rós fracos de espírito”, comenta João, 18 anos, morador da Quinta do Loureiro.

“É raro o adolescente que tenha a ideia de seguir estudos superiores. Procuram os caminhos mais fáceis e não querem sequer tentar”, conta Isabel, professora da Escola Secundária Josefa de Óbidos. “Os pais não os motivam a serem mais do que um mero número acrescentado à percentagem de jovens sem ingressar no ensino superior”, acrescenta.

“Não existem muitos miúdos a consumir. Existem é imensos a traficar. Parece uma praga. Têm a vida mais facilitada e mesmo assim decidem seguir estes caminhos”, exclama Luís, 45 anos, morador da Quinta do Loureiro.

A realidade de há 20 anos não se assemelha à realidade que se vive nos dias de hoje. Apesar de não estar lotado de pessoas, como outrora esteve, o Casal Ventoso continua a ser um local de consumo. E isso vê-se nas seringas espalhadas pelo chão, no comportamento dos ressacados e na mentalidade dos jovens que acompanham este ciclo vicioso.

    
Casal Ventoso 2019-07-31
Jaime Lourenço
Tags Casal Ventoso
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